13.10.09
das palavras
16.2.09
nas pétalas de um navio afundado
Nas pétalas de um navio afundado caem raios de fuligem que saem dos teus cabelos perfumados. Como quem dorme nas estrelas quietas. São dores intensas que espalhas pelos dedos do amor.
Escapam homens maduros que adormecem no calor da chuva quando perdes uma carícia líquida. Vivem em bancos de jardim no paraíso, imobilizados nos teus lábios de rosa, quando livros são folheados ao acaso.
Constroem-se edifícios ao alto atravessados por uma ferida de morte, quando planeias fugir nua e caminhas pelo pó arqueológico dos sonhos.
Ao longe uma tempestade veste o seu melhor fato, para te conhecer de perto, arranhada por espinhos que cedo demais se tornaram veludo.
20.12.08
do deslizar do lápis de cera através do papel

SOM LUZ MATÉRIA CORPO
Radiação directa e radiação difusa
Os meus átomos provocam a reacção em cadeia nuclear
HIDROGÉNIO HÉLIO OXIGÉNIO CARBONO FERRO NÉON NITROGÉNIO SILÍCIO MAGNÉSIO ENXOFRE
Estou para lá da fotosfera
Pressão e calor não me afectam mais
AINDA SOU ALUMINA
1.12.08
da música nos meus olhos

27.11.08
da infância

O zénite dissolve-se no caminho ascendente enquanto deambulo pela rua cheia de promessas. Crianças brincam ao acaso, como fiz também quando ao acaso ia deambulando cheio de energia, orientado apenas por olhos protectores.
O sabor da vida sem perspectiva. As loucuras cometidas no excesso da novidade, sem ironia nem malícia. O prazer de mentir, para preservar os pequenos minutos deliciosos. Viver inconsciente dos problemas mundanos mas mergulhado neles até ao pescoço. Viver assim no acaso premeditado como quem arrisca a vida permanentemente sem o saber, como um movimento subtil de quem apenas quer viver a vida inteira amparado por uma rede invisível.
26.11.08
uma certa nostalgia

15.11.08
um prelúdio para 'de olhos límpidos a substância'

14.11.08
da imprevisibilidade da lua

11.11.08
não será jamais

nem pela mão que nos trouxe que partiremos
somente o grilo à noite orvalhada
nos conhece a voz e o rosto
somente a terra nos conhece o corpo
o restolho o cheiro
o xisto-luzente os dedos
a cal seca as unhas
a azeda os lábios
e os dentes quando a trincamos
a seiva das ervas azeda
ao gustativo
entre as papilas o palatino e as gengivas
as minhas e as tuas
jamais em nós a velocidade das horas
mas o silente
o encantamento
e a preguiça
jamais em nós o ruído da turba
mas a quietação
a doçura
e o descanso
jamais em nós o quebranto da vida
mas a lufada
o fulgor
e a maravilha
atrás jamais voltar agora que partimos
mas pelos próprios pés
1.11.08
seara ou o marinheiro que deixou o mar

31.10.08
seara
