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29.10.09

das coincidências

a despeito de todos os avanços tecnológicos, e de toda a conceptualização e trabalho em torno do chamado método ciêntífico o que é certo é que a aleatoriedade sempre desempenhou um papel central nos avanços. vem este desabafo a propósito deste link na wikipedia sobre cartões de crédito e como apareceram.

no entanto desta vez fico sem perceber se mais valia não se ter dado o aleatório acontecimento...

excerpto de "Magnetic Stripe Card" no site wikipedia

"The magnetic stripe

The process of attaching a magnetic stripe to a plastic card was invented by IBM under a contract with the US government for a security system. Forrest Parry, an IBM Engineer, had the idea of securing a piece of magnetic tape, the predominant storage medium at the time, to a plastic card base. He became frustrated because every adhesive he tried produced unacceptable results. The tape strip either warped or its characteristics were affected by the adhesive, rendering the tape strip unusable. After a frustrating day in the laboratory, trying to get the right adhesive, he came home with several pieces of magnetic tape and several plastic cards. As he walked in the door at home, his wife was ironing and watching TV. She immediately saw the frustration on his face and asked what was wrong. He explained the source of his frustration: inability to get the tape to "stick" to the plastic in a way that would work. She said, "Here, let me try the iron." She did and the problem was solved. The heat of the iron was just high enough to bond the tape to the card."

19.12.08

das palavras surreais

da relevância das palavras como fio condutor da minha vida
a 2 de Janeiro de 2001

As cidades suspensas nas nuvens deixaram de ser alcançáveis 
Para que as palavras reclamem o seu direito primordial 

As cidades suspensas perderam-se nas nuvens da realidade
Para que o sonho imbuído da cacofonia fonética impere

O amor passou a ser um objecto de deslumbre
Onde a carnificina dos inocentes não tem lugar
O oásis deixou de estar nas bocas do mundo
Para que as palavras concretizem estados alterados de inconsciência 

Essas palavras que não são mais do que uma unha cravada nas minhas costas
Essas palavras que não são mais do que falsas esperanças
Essas palavras que não são mais do que letras escolhidas ao acaso para tentar racionalizar a loucura animal 

Essas palavras - ontem
Que saudades tenho dessas palavras
Palavras quadradas ou circulares que me levavam pelos campos semeados em flor
Sobrevoando girafas azuis, tubarões puxando charruas e homens empunhando granadas poéticas 

Essas palavras - hoje
Que arrepio sinto quando lentamente passo pelos meus lábios gretados os meus dedos rugosos com o intuito de apagar o som dessas palavras que não consigo impedir que saiam
Palavras perfumadas ou anódinas num mundo cor de rosa onde mais vale um pássaro na mão do que dois a sonhar 

Essas palavras - amanhã
Que futuro terão no meu corpo se me negam as visões que tive quando eram minúsculas na subcutânea pele dos meus dedos
Que futuro terão
Essas palavras amargas no sabor mas doces na forma
Essas palavras fractais que ora correm ora morrem no meu sufoco para te contar o universo inteiro
 
Essas palavras que espero
Não me habitem onde quer que o meu pensamento se ilumine com a tua presença

2.12.08

para E. aumentado à lupa de um certo olhar automático

Pilhado descaradamente de para E. publicado por Maria João Rodrigues

A serena levitação ecoa profunda como lágrimas contidas no talvez adeus. Uma visita que deixei por fazer.

Ainda
húmido devolvo ao ar nitroglicerina que implode no teu olhar. Cristalino imagino que chova dentro em breve, mas não, foi apenas o frio do meu descontentamento na tua chama por acender.

A chuva, o orvalho e o vapor reluzem, vaporizam-se singelas e misteriosas 
chamas azuis lambendo cuidadosamente o nosso abraço em (re)união. Uma fusão extemporânea no frenesim da celebração. Nesse tal sítio onde frenéticos esprememos o sonho numa única gota de suor. Lá, nesse tal sítio onde fingimos mostrar que não somos o que somos mas não nos conseguimos enganar. Rastejamos nesse sítio das almas em busca de um perfume desconhecido, embevecidos pela nossa imagem reflectida no fogo.

E somos nós, somos vocês, somos Eu, somos Tu e Ele e Ela. Nesse tal sítio trincamos os lábios e são de fogo as gotas cristalinas de cristal.