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23.5.09

da janela




















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a janela tem grades de ferro
e as tuas mãos presas a elas
de dentro a fora
e as minhas mãos presas
desde o pescoço às omoplatas
apertando as ancas

observo a rua
escuto as onomatopeias que libertas
e depois suspiro

18.5.09

da porta da rua

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paredes meias com a sociedade
vivemos
ouvimos o cão e a família em cima
o gato e a sua dona ao lado
em baixo os amantes de tempos a tempos

contra a porta da rua
amo-te devagar
a tranca é metálica
e estremece ruidosa
ao mesmo ritmo que tu

13.5.09

do chão da sala


é de tacos de madeira
o chão da sala
e ferem os meus joelhos de osso a nu
arrefecem as tuas costas em fervura ardendo

as almofadas emudecem
o matraquear na madeira
mas não o nosso matraquear
e aquecemos a chão da sala ofegante
quando fixamos os tacos de madeira no tecto