17.10.08

vénus victória e david


é no confronto das pupilas que a verdade se exalta
exalta-se a carne por demais exposta ainda que oculta

como são falsas as estátuas
com suas feições rectas de inocência ainda que rombas de vício

e é confrontando que a vejo
qual Vénus de Milo elegante gélida de olhar baço
impassível na sua altivez mas sem braços

que a vejo
qual Victória de Samotrácia imponente prenhe de glória
em vez de braços tem fartas asas para fartos voos
impassível na sua altivez mas sem cabeça

é no confronto das pupilas que o amor se exalta
e exaltam-se os lábios
e exaltam-se as mãos
e exalta-se o sexo esse sim a estátua
recta romba de feições

como é falso o mármore dessas pupilas
como é falso o seu murmúrio e o seu silêncio

olho para mim
estou nu
elevo a mão canhota até ao ombro
o meu braço direito paralelo distendido ao meu torso
a perna esquerda descontraída
inclino o rosto na sua direcção

estou perfeito
fenomenal
o meu nome é David

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